Skip to content

DVD – IMAGINÁRIOS COMPARTILHADOS

27/05/2010

O DVD – Imaginários Compartilhados é o produto que finaliza o projeto e é composto por trabalhos de vídeoarte dentre eles:

– Sem título 1

– Da floresta amazônica ao palito de fósforo

– Sem título 2

– Diálogos possíveis 1,2 e 3

– Ação Noturna

– Envio de postais

O DVD está em fase de distribuição e em breve estará disponível em diversas instituições de pesquisa e ensino.

O DVD poderá ser consultado nas seguinte instituições em Curitiba:

–        Biblioteca Municipal de Curitiba

–        Faculdade de Artes do Paraná

–        Fundação Cultural de Curitiba

–        Núcleo de Estudos da Fotografia

–        MAC/PR Museu de Arte Contemporânea do Paraná

–        Universidade Federal do Paraná

–        Universidade Tuiuti do Paraná

Em outras cidades:

–        Funarte – Fundação Nacional das Artes

–        Museu Municipal de Itaituba Aracy Paraguaçu

–        Ponto Cultura de Ouro

–        Universidade Federal do Pará

–        UNAMA – Universidade da Amazônia

–        Universidade do Estado do Pará

–        UEL – Universidade Estadual de Londrina

RELATOS DE EXPERIÊNCIA #01

17/05/2010

 

Primeiramente, ressaltamos que a realização deste projeto  fora a materialização de uma trajetória criativa. Apesar da prévia visualização de eventos na elaboração do projeto enviado ao Programa Rede Nacional FUNARTE 2009, eles foram criações no ato de realizá-los. Ressaltamos isso porque o projeto envolveu não apenas a organização dos eventos, mas acima de tudo uma abertura dos realizadores à pesquisa, à produção e ao diálogo de mão dupla, ou de mão múltipla (como foi o caso da realização das oficinas de fotografia e vídeoarte, onde 29 criadores, contando conosco, estavam em diálogo).

Para materializar as propostas contidas no projeto “Imaginários Compartilhados”, partimos da imaginação já construída historicamente sobre um lugar para nós, até então, desconhecido, voltando-nos à reinvenção deste imaginário a partir da experiência. Colocamo-nos neste texto à produção de uma escritura que é alinhamento de múltiplos rastros de experiências partilhadas durante o primeiro semestre de 2010. Tentaremos apresentar aqui os rastros de velhos imaginários que acabaram por se constituir imaginários reinventados pela experiência.

Para isso, apresentaremos considerações que envolvem a trajetória criativa do projeto, reunindo desta forma as mudanças significativas ocorridas ao passarmos de um determinado imaginário à sua reinvenção pela experiência. Isso para nós assume um aspecto relevânte tendo à frente que as trocas vivenciais aconteceram nos territórios de onde surgiram os discursos aqui problematizados: a Amazônia cortada pela Transamazônica, ou BR-230.

Iniciamos então pelo resgato do que foi a produção de expectativas ao nos projetarmos em lugares desconhecidos, lugares que eram pertencentes aos trajetos que nos propúnhamos a realizar.

Houve uma ruptura clara entre as expectativas e as presenças: ela se iniciou com a aprovação do projeto no prêmio Rede Nacional FUNARTE Artes Visuais 2009. Todo nosso primeiro levantamento de imaginário estava baseado na distância compartilhada pelos artistas em relação à Transamazônica. Não sabíamos ao certo qual sua posição geográfica, quais estados ela percorria, suas origens e motivações, suas conseqüências e suas futuras intervenções, tanto nela mesma, quanto na vida fluída ao redor. Os artistas participaram, a partir dessa distância comum, da criação de expectativas. De várias maneiras, elas relacionavam-se com a elaboração da proposta em suas condições de possibilidade. Traçar materialmente as expectativas fora trazê-las para uma presença, tornando-as possíveis. Acreditamos que uma expectativa é anseio pela presença de algo. É sair de si em direção à espera. As probabilidades de tornar a Transamazônica uma presença para nós passou a se relacionar diretamente com as promessas publicitárias presentes na Revista Realidade de 1971. Aprovado o projeto, fomos confrontados a reformular nossas posições frente ao que colocávamos como expectativa e presença: quando a probabilidade torna-se uma certeza a espera para sua realização ainda é expectativa? De que modo? Quando entramos em contato com as pousadas, hotéis, residências assinalando que lá estaremos em tal hora até tal dia, vivenciamos de alguma maneira uma presença?

Uma exigência para tornar essas questões invisíveis até então questões palpáveis foi passarmos a trabalhar com as ferramentas disponíveis e que iam se fazendo necessárias: nosso corpo, as publicidades e… câmeras de vídeo e fotografia. Nossa experiência com vídeo tornou-se uma questão de necessidade.

Acreditamos, cada qual com sua particularidade, que as ferramentas de trabalho do artista se fazem necessárias a partir das problemáticas colocadas pelos trabalhos desenvolvidos e não o contrário. Não são as especialidades do artista que o fazem tal, nem as especificidades de cada trabalho o definem. A expectativa também é uma espera da maneira pela qual a problemática exige se fazer presente no mundo. Se os meios massivos da época construíram o imaginário de um Brasil grande, através das imagens construídas com câmeras e outros aparelhos de difusão, resgatamos a câmera para desconstruir visões particulares nossas que até então correspondiam a certa visão de senso comum. Os meios massivos traziam, e ainda continuam tentando trazê-lo, o que está longe de nossa vida ordinária, realizando uma presença imaginária. “Transamazônica: a grande aventura nacional” construía com a imagem uma esperança de se encontrar, de se fazer presente, como nação, nestes territórios distantes, até então inocupados e cheios de riquezas.

Ação NOTURNA

08/03/2010

NOTURNA (Edith de Camargo)

Sobreviver à mais longa noite
Que se estende mais um dia
Que nos leva a um sono profundo
Que nos leva à primeira aurora
À primeira palavra
O primeiro silêncio carrega palavras 
Jamais escutadas

Jamais
Sobreviver à mais longa noite
Diluido no mundo e sentido por adiar 
o que nunca mais consegue falar.

Nossa última noite na Amazônia. Estamos no meio do que já foi uma floresta fechada e hoje é uma cidade onde os barcos chegam e partem todo dia o dia inteiro. Há por todos os espaços uma organização caótica, onde pouco se fale e pouco se escuta. O que se escuta muito são os famosos ritmos brega e tecnobrega. As mesmas músicas tocam por quase todos os lugares. As ruas possuem alto-falantes, os carros e os barcos são equipados com equipamentos de som, fora os players portáteis. Como se fossem necessários para ocupar o espaço de silêncio deixado pelo não-dito.

A cidade não é tão povoada: um pouco mais de 100 mil habitantes, numa densidade demográfica de 1,62 habitantes por KM2. Itaituba já foi conhecida como cidade faroeste. Uma extração intensa de ouro fez o lugar ter o aeroporto mais movimentado do mundo na década de 70, com a média de 460 pousos e decolagens por dia. A maior parte desta riqueza do minério não permaneceu, entretanto, conta-se que cinco anos atrás ainda predominavam por algumas ruas uma relação de muita violência com cobrança de pedágio e desentendimentos políticos e sociais. As histórias de crimes passionais, pedofilia, e acerto de contas são comuns e chegam a ser banais nas reportagens nos jornais diários.

Imersos nesse ambiente, sendo constantemente observados, convivendo com esses espaços tomados pela música e pelo não-dito, fomos levados também nós à quietude, numa tentativa de escuta. Esse nosso silêncio nos levou a observar nós mesmos neste lugar. Nossa permanência durante esses dias começou a gerar uma necessidade de fala. Uma vontade de troca, de se colocar neste ambiente de forma autêntica, sem ser conivente com as relações autoritárias e seus jogos de poder diários. Procurar essa fala de uma maneira a ser ouvido sem perder a postura fez com que inseríssemos também nós uma música neste lugar. Um ritmo e uma fala na qual nos sentíssemos presentes.

Com ternura agradecemos a Edith por ter nos cedido a música para inserção na cidade.

Material produzido pelos alunos da oficina de videoarte

08/03/2010

“Sob nossos olhares” – video foto produzido pelos alunos da oficina de fotografia

03/03/2010

Ação – Envio de Postais

03/03/2010

No fim da oficina de fotografia elaboramos com os alunos o envio de postais que foram feitos com as imagens produzidas por eles durante a oficina. A tentativa com esta ação foi a descontrução do senso comum do que seria um postal. As imagens escolhidas por cada um priorizam um olhar subjetivo e espotâneo sobre questões que perpassam o cotidiano de cada um.

Por enquanto foram 30 postais enviados para pessoas da região sul do país.

Outra intenção nossa é estabelecer uma troca de imaginários entre pessoas que não se conhecem e vivem em lugares diferentes.

Alessandro

POSTAIS

Reminiscências

27/02/2010

                Chegando em Itaituba nos deparamos com as nossas próprias expectativas de estabelecer uma experiência nesse lugar tão distante do ponto de partida. Durante a viagem até aqui saíamos da construção de nosso imaginário a respeito desse lugar e nos deparávamos em todo percorrer do trajeto com uma mudança muito sutil na paisagem. Alterava-se a cor da grama ou a força de incidência da luz sobre as repetições dos campos de pastos para gado? Conforme íamos para a Amazônia deslembrávamos das paisagens pelas quais passávamos, acompanhando mais o encontro com o suposto novo que era na verdade todo repetição: descampados lindos mas para os quais não pertencemos. Passageiros numa van de cooperativa, nossa vivência com os lugares do trajeto era um recorte das formas que as paisagens tomavam pela janela. Entretanto as interferências desses lugares em nossa viagem não foram poucas: passageiros subiam e desciam o tempo todo do micro-ônibus para trajetos curtos entre um ponto e outro em suas cidades; sem banheiro no transporte, deparávamo-nos com várias condições colocadas pelos banheiros e restaurantes dos lugares de parada; por fim a estrada lameou os vidros na viagem e começamos a ver muito pouco do que existia além-ônibus. Como tínhamos grande dificuldade para dormir devido aos micro-espaços divididos entre os passageiros, voltamos nossas vivências para as imagens que eram o tempo todo partilhadas ali dentro: fabulações que cada passageiro fazia de si e de seu ao redor. Reminiscências que temos hoje dessa viagem.