Sobre o projeto
Descrição
Imaginários Compartilhados é um projeto que se desenvolve a partir das publicidades veiculadas pela revista Realidade no início da década de 70 sobre a Rodovia Transamazônica. Uma das características deste projeto é o intercâmbio de imaginários e experiências que constituíram/constituem a promessa de progresso simbolizada pela construção desta estrada.
O projeto se divide em sete etapas:
1-) produção de material audiovisual que investigue o imaginário da população de Curitiba a respeito da Transamazônica. Reprodução das propagandas veiculadas na revista Realidade e intervenção urbana com este material.
2-) encontro no Núcleo de Estudos da Fotografia (instituição parceira) com a discussão do material publicitário que impulsiona este projeto. A proposta deste encontro é questionar de que maneira todas essas mensagens veiculadas afetaram/afetam a nossa maneira de pensar e qual é o nosso imaginário hoje em dia a esse respeito. Este encontro marcará também o início da viagem dos participantes deste projeto até a cidade de Itaituba no Pará que é cortada pela Rodovia Transamazônica (BR 230).
4-) durante o percurso da viagem realizaremos entrevistas com outros viajantes e registro em vídeo e fotografia do trajeto.
5-) na cidade de Itaituba realizaremos encontros e oficinas com a população local no Ponto de Cultura Pontão Cultura de Ouro. As oficinas de vídeo e fotografia a serem realizadas têm como objetivo, além da capacitação e possibilidade de acesso a meios audiovisuais, instigar os moradores de Itaituba a pensar seu próprio espaço e contexto.
6-) viagem a partir de Itaituba até a cidade de Lábrea/AM ponto final da Rodovia Transamazônica, registro do percurso e produção de intervenções artísticas neste trecho da Rodovia.
7-) finalização do projeto com encontro final em Itaituba com mostra de vídeos e fotografias produzidas no local, encontro em Curitiba com apresentação do projeto finalizado
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Objetivos
O projeto pretende a partir da coleta destes imaginários viabilizar a produção de uma trabalho artístico que pense as relações de expectativas e promessas de um lugar cujo futuro é anunciado há mais de 30 anos.
Justificativa
“O enaltecimento das potencialidades do
Brasil funda-se em uma tradição secular
inscrita no imaginário social brasileiro” 1
Na década de 70 foi anunciada a execução do projeto de construção da rodovia Transamazônica como parte da “consolidação do milagre econômico”, durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). Sua representação como “maior aventura vivida por um povo na face da Terra”, a “última grande aventura do século” sinalizava a conivência dos veículos de comunicação de massa aos discursos oficiais. “Estabelece-se o seguinte raciocínio: o desafio/aventura de construir a Transamazônica é o de construir o Brasil potência, de modo a adiantar assim o futuro para o qual a nação está predestinada”2.
Anunciada como parte do Programa de Integração Nacional a rodovia era tida como a solução dos problemas de secas sazonais no Nordeste e para o que era tido como problema de segurança nacional – a pouca densidade demográfica na Amazônia, gerando a necessidade de desenvolvê-la apropriando-se do seu território. O discurso oficial pregado era: “levar homens sem terra à terra sem homens”. Assim planejava-se apaziguar as pressões populares pela reforma agrária e dar cabo ao “integrar para não entregar”.
A veiculação de reportagens, artigos e publicidades sobre a construção da Transamazônica inicia-se já no início de 1970. A revista Realidade publicou em 1971 uma série de reportagens especiais em que o tema era a Amazônia. Em contato recente com este material nos deparamos com diversas publicidades que prometiam um futuro promissor para a região Norte: uma promessa de desenvolvimento que abrangia a modernização da área habitacional, econômica e cultural (ver anexo A).
A execução foi sendo abandonada, e as idéias propagadas, mais modestas. Ao fim do ano de 1974 a construção da Transamazônica foi dada por encerrada em seu ¼ do previsto, mas nem esta parte estava pavimentada.
Deste sonho comenta-se que restam hoje seis meses de poeira e seis meses de lama. Cidades por onde passa a BR-230, como Altamira e Itaituba, tiveram registrados ao longo dos últimos trinta anos crescimento populacional de mais de 1000%. O custo da construção da rodovia, nunca terminada, foi de mais de US$ 1.5 bilhões. “Somente 2,5 mil quilômetros da rodovia, ligando Aguiarnópolis a Lábrea (AM), foram abertos. O que seguiu foi o abandono.” 4
O primeiro trecho da Transamazônica, ligando as cidades de Estreito, em Goiás, à Itaituba, no Pará, foi celebrada ainda em 1972. Se as ideologias do governo que sustentavam o projeto era integrar para não entregar e apaziguar as pressões sociais pela reforma agrária, em pouco tempo o empreendimento voltou-se aos grandes negócios envolvidos, seguido do abandono dos colonos, que ficaram sem crédito, sem transporte e sem terras, pois não tiveram acesso aos títulos de posse, em muitos casos.
http://www.transportes.gov.br/bit/trodo/br-230.jpg
A partir da década de 80 começaram a ser organizados diversos movimentos sociais, entre eles o “Movimento pela Sobrevivência da Transamazônica” e o “Movimento pelo Desenvolvimento da Transamazônica e do Xingu” que agrega 113 entidades em diversas cidades na região.
No início do governo Fernando Henrique Cardoso houve a promessa do programa “Avança, Brasil”, que previa cerca de US$ 43 bilhões em investimentos. No entanto o projeto foi abortado e rebatizado por ambientalistas como projeto “Avança Fumaça”, pelo descaso completo da sustentabilidade ambiental.
O governo Lula também previu investimentos através do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – e do PPI – Programa Piloto de Investimentos – R$ 3 bilhões previsto no Orçamento da União até 2010 para o asfaltamento de 883 km da Transamazônica, no trecho de Marabá – Rurópolis, a 146km de Itaituba, e para o asfaltamento da rodovia que liga Santarém a Cuiabá.
Atualmente acredita-se que o asfaltamento da BR-230 não seja nem bom nem mau em si. Depende mais de “garantias que as leis ambientais sejam respeitadas, que a infra-estrutura funcione, que a pesquisa científica continue, que o apoio aos produtores seja concreto e que as áreas indígenas, de proteção ambiental e de uso sustentável sejam fortalecidas. Se isso acontecer, talvez um dia a BR-230, em vez de pista vermelha do conflito social e beco sem saída da devastação ambiental, torne-se exemplo do caminho, pavimentado, para um futuro sustentável.” 5
Resgatando as publicações nas revistas da década de 70, podemos acompanhar Menezes ao dizer que “se a Transamazônica é um acontecimento, os discursos produzidos e veiculados e revistas constituem em um outro acontecimento que reinventa aquele. ” 6
Retornar hoje ao que deveria ser é uma das nossas motivações: questionar a publicização de tantas promessas através de uma experiência concreta com o que se apresenta hoje na região Norte. A localização da cidade de Itaituba se coloca como um desafio de deslocamento à esse lugar prometido. O fato da BR-230 perpassar a cidade de Itaituba nos convida a questionar as promessas com a realidade.


Meu pai trabalhou na construção da transamazônica no trecho Itaituba / São Luiz do tapajós / Jacarécanga – Construtora Rabêllo.
Gostaríamos de obter fotos da época.
Olá, me chamo Magno e sou mestrando da Universidade Federal de Pernambuco, minha pesquisa é justamente sobre a construção e o trabalho de nordestinos na construção da transamazônica e eu gostaria de trocar e-mail com você, quem sabe talvez possamos nos ajudar, li que seu pai era trabalhador de lá e que prestava serviços para Rabêllo, gostaria de informações sobre essas coisas…pode ser? abraço.
magnomichelll@hotmail.com
moro em brasil novo desde 1976, sei de histórias que nunca ouvi, mesmo de pessoas que fizeram incursões ou reportagens na região,o brasil não sabe nem a metade da história da transamazonica.